As Eleições de 2026 serão marcadas por um avanço histórico da presença feminina na condução da Justiça Eleitoral brasileira. Pela primeira vez, quase um quarto dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) do país será presidido por mulheres durante a organização e realização de um pleito nacional.
Atualmente, seis mulheres ocupam a presidência de tribunais regionais eleitorais nos estados do Acre, Amazonas, Ceará, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Sergipe. Nos próximos meses, outras três desembargadoras assumirão os comandos dos TREs do Maranhão, Goiás e Rio Grande do Sul, consolidando o maior número de mulheres à frente da Justiça Eleitoral em uma eleição brasileira.
O cenário se soma à liderança da ministra Cármen Lúcia na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cargo que ocupa desde junho de 2024 e a partir do qual coordena os preparativos das eleições municipais de outubro de 2026.
Na última terça-feira (24), a ministra reuniu presidentes de 25 dos 27 TREs em Brasília para alinhar estratégias e garantir a organização do processo eleitoral que deverá mobilizar mais de 155 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar no primeiro turno.
O crescimento da presença feminina nos comandos da Justiça Eleitoral representa um avanço importante em um dos espaços historicamente mais masculinizados das estruturas de poder brasileiras.
Embora as mulheres sejam maioria do eleitorado nacional — representando cerca de 52% das pessoas aptas a votar, segundo dados do TSE —, essa presença ainda não se reflete proporcionalmente nos cargos de liderança política e institucional.
No Poder Judiciário, os desafios também permanecem. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que as mulheres representam aproximadamente 39% da magistratura brasileira, mas continuam sub-representadas nos postos de direção dos tribunais superiores e regionais.
Nesse contexto, a ampliação da presença feminina nos TREs possui dimensão simbólica e institucional relevante. A Justiça Eleitoral brasileira desempenha papel fundamental na garantia da democracia, da transparência do processo eleitoral e da proteção dos direitos políticos da população.
Além disso, o fortalecimento da participação feminina em espaços de decisão ajuda a ampliar perspectivas dentro das instituições públicas, especialmente em temas relacionados à representação política, combate à violência política de gênero e promoção da igualdade.
Nos últimos anos, o Brasil avançou na criação de mecanismos de proteção às mulheres na política, como a Lei nº 14.192/2021, que estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher.
A presença crescente de mulheres na condução da Justiça Eleitoral dialoga diretamente com esse movimento de fortalecimento democrático e ampliação da participação feminina nos espaços institucionais.
As desembargadoras que atualmente presidem TREs são:
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Waldirene Oliveira da Cruz Lima Cordeiro (Acre);
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Carla Maria dos Santos Reis (Amazonas);
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Maria Iraneide Moura Silva (Ceará);
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Serly Marcondes Alves (Mato Grosso);
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Maria de Lourdes Medeiros de Azevedo (Rio Grande do Norte);
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Ana Lúcia Freire de Almeida dos Anjos (Sergipe).
Também assumirão os tribunais eleitorais:
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Francisca Galiza (Maranhão);
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Elizabeth Maria da Silva (Goiás);
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Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez (Rio Grande do Sul).
O avanço da presença feminina na Justiça Eleitoral reforça que democracia também se constrói com representatividade, diversidade e participação das mulheres nos espaços de decisão.







