O Tribunal Superior Eleitoral lançou uma campanha nacional para incentivar a participação política de grupos historicamente sub-representados no Brasil, especialmente mulheres, pessoas negras e indígenas.
Com o mote de fortalecimento da democracia por meio da pluralidade, a iniciativa busca chamar atenção para a distância entre a composição real da população brasileira e quem ocupa os espaços de poder no país.
A campanha destaca que ampliar a presença desses grupos na política não é apenas uma questão de inclusão, mas de representatividade democrática e construção de políticas públicas mais conectadas à realidade da população.
Apesar de serem maioria do eleitorado brasileiro — mais de 52% das pessoas aptas a votar — as mulheres seguem sub-representadas nos cargos eletivos.
Atualmente, o Brasil ocupa posições baixas em rankings internacionais de participação feminina na política. Na Câmara dos Deputados, as mulheres representam pouco mais de 18% das cadeiras. Nas prefeituras e governos estaduais, a desigualdade também permanece significativa.
O cenário é ainda mais desigual quando se observa a presença de mulheres negras e indígenas nos espaços institucionais.
Segundo dados do próprio TSE, embora pessoas negras representem a maioria da população brasileira, sua participação em cargos de poder ainda está distante da proporcionalidade demográfica do país. Mulheres negras, em especial, seguem enfrentando múltiplas barreiras relacionadas ao racismo estrutural, à desigualdade econômica e à violência política de gênero.
Especialistas apontam que a presença de mulheres, pessoas negras e indígenas na política impacta diretamente a formulação de políticas públicas, ampliando o debate sobre direitos sociais, combate às desigualdades e garantia de cidadania.
Nos últimos anos, o Brasil avançou em mecanismos de incentivo à participação feminina, como cotas eleitorais e reserva de recursos do fundo partidário e do fundo eleitoral para candidaturas de mulheres e pessoas negras. Ainda assim, desafios como candidaturas fictícias, violência política de gênero e desigualdade no acesso a financiamento e visibilidade seguem presentes.
A campanha do TSE também busca enfrentar esse cenário ao estimular eleitoras e eleitores a refletirem sobre quem ocupa os espaços de decisão e quais vozes continuam sendo excluídas do debate público.
Violência política ainda afasta mulheres da vida pública
A ampliação da participação feminina na política também esbarra no crescimento da violência política de gênero, tema que ganhou mais visibilidade nos últimos anos.
Ataques nas redes sociais, campanhas de desinformação, intimidação, assédio e tentativas de silenciamento fazem parte da realidade enfrentada por muitas mulheres que ocupam cargos públicos ou disputam eleições.
Para a Secretaria Nacional de Mulheres do PSB, fortalecer a representatividade significa garantir condições reais para que mulheres possam participar da vida política com segurança, estrutura e respeito.
“Democracia forte se constrói com diversidade, participação e representação real da população brasileira. Mulheres, pessoas negras e indígenas precisam estar nos espaços de decisão não como exceção, mas como parte legítima da construção política do país”, destaca Dora Pires, secretária nacional de mulheres do PSB.
A campanha do TSE reforça justamente essa mensagem: uma democracia mais representativa é também uma democracia mais justa.







