A deputada federal Tabata Amaral denunciou, em entrevista à CNN, a disseminação de fake news e ataques mentirosos envolvendo o chamado “PL da Misoginia”, proposta que busca criminalizar práticas de ódio e violência contra mulheres.
Relatora do projeto na Câmara dos Deputados, Tabata afirmou que a proposta chegou ao grupo de trabalho após aprovação unânime no Senado Federal, reunindo apoio de parlamentares de diferentes partidos e espectros políticos. Apesar disso, segundo ela, o texto passou a ser alvo de campanhas de desinformação e ataques distorcidos nas redes sociais e no debate público.
“Infelizmente ainda está acontecendo uma onda de fake news, de ataques mentirosos ao projeto”, declarou a deputada.
Segundo Tabata Amaral, houve casos em que parlamentares utilizaram trechos de outros projetos de lei — sem qualquer relação com a proposta — para atacar o PL e espalhar informações falsas sobre seu conteúdo.
A deputada destacou ainda que o texto é simples e objetivo, ocupando apenas uma página, e afirmou que uma das principais tarefas do grupo de trabalho será justamente esclarecer à sociedade o que a proposta realmente prevê.
“Ouvir quem pensa diferente, mas dialoga com respeito. É isso que eu vou fazer e estou fazendo enquanto relatora”, afirmou.
Violência política de gênero cresce no Brasil
O debate em torno do chamado “PL da Misoginia” acontece em um contexto de aumento da violência de gênero e da hostilidade contra mulheres em espaços de poder e participação pública.
Dados recentes mostram que o Brasil segue enfrentando números alarmantes de violência contra mulheres. Em 2025, o país registrou mais de 1.500 vítimas de feminicídio, mantendo uma média próxima de quatro mulheres assassinadas por dia. ()
Além da violência física, especialistas alertam para o crescimento de formas simbólicas, digitais e políticas de violência de gênero, especialmente direcionadas a mulheres que ocupam espaços de liderança, disputam eleições ou defendem pautas relacionadas aos direitos das mulheres.
Levantamento do Instituto Marielle Franco identificou dezenas de casos de violência política de gênero e raça praticados no ambiente digital contra parlamentares e lideranças femininas, especialmente mulheres negras, periféricas e defensoras de direitos humanos. ()
Segundo a ONU Mulheres, o Brasil ocupa atualmente a 133ª posição no ranking global de representação feminina nos parlamentos nacionais, evidenciando os desafios para ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão política. ()
Especialistas apontam que campanhas de desinformação, ataques pessoais e tentativas de descredibilização fazem parte das estratégias utilizadas para afastar mulheres da vida pública e enfraquecer debates sobre igualdade de gênero.
Grupo de trabalho ouvirá vítimas e especialistas
Nas próximas semanas, o grupo de trabalho da Câmara deverá realizar audiências com vítimas, mães de vítimas, juristas, delegadas, peritas e especialistas que atuam no enfrentamento à violência contra as mulheres.
O objetivo é aprimorar a proposta e construir um texto de consenso a partir da escuta de quem enfrenta esse tipo de violência diariamente.
Para a Secretaria Nacional de Mulheres do PSB, enfrentar a misoginia exige não apenas avanços legislativos, mas também responsabilidade no debate público e compromisso com a democracia e os direitos das mulheres.
“A violência política de gênero também acontece quando mulheres são desacreditadas, atacadas ou silenciadas por defenderem direitos. Combater a misoginia é enfrentar a cultura do ódio e da desinformação”, destaca a secretária nacional de mulheres do PSB, Dora Pires.







