Marcia*, de 45 anos, aprendeu a ler o calendário do Campeonato Brasileiro antes de conseguir dar nome ao que vivia. Nos dias de jogo do Corinthians, o jantar tinha que estar pronto antes de a bola rolar. As crianças iam para a casa da avó sempre que dava. Visitas, ela desmarcava com desculpas inventadas. Durante os 90 minutos, nenhuma pergunta. “Eu vivia em estado de alerta, tentando prever o humor dele e evitar qualquer situação que pudesse provocar uma explosão”, conta ela, hoje com 45 anos.
Não foi sempre assim. No começo do casamento, ela assistia aos jogos ao lado do marido, torcedor apaixonado. “Parecia algo normal, um programa de casal.” Com os anos, percebeu que os dias de partida mudavam o comportamento dele. Quando o Corinthians perdia, ele chegava nervoso, respondia gritando, dizia que ninguém o respeitava se as crianças faziam barulho.
A primeira agressão física veio depois de um clássico perdido e de muita bebida. Marcia pediu que ele falasse mais baixo, o filho dormia. Foi empurrada contra a parede. Ele se desculpou, disse que estava de cabeça quente, jurou que nunca mais. “Mas aconteceu de novo e de novo.”
O que Marcia viveu tem tradução estatística. Um estudo das economistas Isadora Bousquat Árabe (London School of Economics e FEA-USP) e Paula Carvalho Pereda (FEA-USP), aceito para publicação na revista Economic Development and Cultural Change, da Universidade de Chicago, analisou 2.105 partidas de fim de semana do Brasileirão entre 2015 e 2019 e cruzou os resultados com boletins de ocorrência de violência doméstica dentro de casa em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Quando o time do coração perde um jogo em que era favorito – ou seja, em que sofre uma derrota inesperada, medida pelas cotações do mercado de apostas –, os registros sobem em média 6% nas seis horas seguintes ao apito final.
O efeito não aparece antes do jogo, nem durante, nem depois de vitórias. Ele se concentra nas horas que se seguem à frustração e depois se dissipa. “Quando a gente fala de gatilho emocional, basicamente vem a decepção. A pessoa fica muito brava. Se você está ali na mesma casa, com álcool, tudo que já está propenso a explodir… isso não vai ser a causa, mas vai ser o gatilho”, disse Árabe à reportagem.
A escalada de um ciclo
O empurrão contra a parede não foi o começo da violência na casa de Marcia. Antes dele vieram os gritos, as acusações, o silêncio obrigatório dos dias de jogo. E é exatamente esse padrão que os dados capturam:
O aumento nos registros não vem de agressões físicas isoladas, mas de boletins que somam mais de uma forma de violência no mesmo episódio. Os que combinam violência física, psicológica e moral crescem cerca de 50% a cada desvio-padrão de choque emocional negativo; os de violência psicológica e moral, cerca de 30%.
“Não é só uma violência física. Ela geralmente vem acompanhada de uma violência moral, uma difamação, uma ameaça”, diz Árabe. “São formas de o agressor controlar a vítima.”
A derrota no futebol, portanto, não cria um agressor. Ela intensifica um ciclo que já estava em curso e que a vítima, muitas vezes, já administra sozinha há anos, reorganizando a rotina da casa em função da tabela do campeonato, como fazia Marcia.

Segundo dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher de 2025, realizada pelo Instituto DataSenado, 58% das mulheres que sofreram violência doméstica nos 12 meses anteriores conviviam com os abusos havia mais de um ano ao serem entrevistadas, e apenas 21% vivia o problema havia menos de seis meses. Os dados da pesquisa estão disponíveis no Mapa Nacional da Violência de Gênero, iniciativa da Gênero e Número, do DataSenado e do Instituto Natura.
E o aumento de 6% nos registros de violência após o final de um jogo, admitem as próprias autoras, é um piso. “Muito provavelmente subestima. É um lower bound, (um limite inferior, ou uma estimativa mínima do efeito)”, afirma a Marcia. O motivo está num dos gráficos mais duros do estudo: em municípios sem delegacia com funcionamento 24 horas, mulheres agredidas num sábado de jogo esperam em média cerca de 40 horas para conseguir registrar a ocorrência, muitas vezes só na segunda-feira, quando a delegacia reabre.
E isso considerando apenas as que denunciam. A violência doméstica está entre os crimes mais subnotificados que existem. Também de acordo com a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher de 2025, 58% das vítimas que haviam sofrido abusos nos últimos 12 meses não denunciaram o crime.
A delegacia que não existe no domingo à noite
Juliana*, de 37 anos, nunca chegou a registrar boletim nos piores momentos. O que ela fez foi o que milhares de mulheres fazem quando o sistema parece distante demais: montou sua própria rede de proteção. Passou a esconder documentos, separou uma pequena reserva de dinheiro e combinou um sinal com a vizinha para o caso de precisar de socorro. “Eu já sabia que, sempre que havia um jogo importante ou quando ele passava horas nos aplicativos de apostas, o risco de uma nova agressão aumentava”, lembra.
Novamente, a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher de 2025 corrobora a experiência: os dados mostram que, entre as mulheres que sofreram violência doméstica, 57% procuraram a ajuda da família, 53% a da igreja e 52% a dos amigos. Apenas 32% denunciaram o caso em uma delegacia comum e 28%, em uma delegacia especializada.
É nesse vazio entre a mulher e o Estado que o estudo de Isadora Bousquat Árabe e Paula Carvalho Pereda faz sua descoberta mais importante: onde a vítima denuncia depende do que existe perto dela. Em municípios com Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), o choque da derrota aparece nos boletins de ocorrência. Onde não há nenhum serviço especializado, ele aparece em outro canal: as ligações para o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) sobem 28% no dia seguinte ao jogo.
À época dos dados, entre 2015 e 2019, apenas 17% dos municípios paulistas e 14% dos fluminenses tinham DDM, concentradas nas capitais e regiões metropolitanas. “Se você está numa cidade pequena em que o delegado conhece seu marido, você não vai denunciar”, resume Árabe. “A barreira institucional não pode estar lá.”
Essa dinâmica explica por que a violência dos dias de jogo passa quase despercebida por parte do sistema. A defensora pública Thaís dos Santos Lima, coordenadora do Núcleo Especial de Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, fez um levantamento exploratório dos atendimentos do núcleo no primeiro semestre de 2026 e não encontrou relação consistente com as datas de jogos.
Ela mesma explica o porquê: “A Defensoria não costuma ser o primeiro lugar aonde a mulher vai. As duas grandes portas de entrada são a delegacia e o Sistema Único de Saúde. Ela chega até nós depois, já com a medida protetiva, para planejar a vida: alimentos, divórcio, onde morar”, diz. “O fato de a gente não comprovar o aumento nos nossos atendimentos não significa que ele não exista. A mulher não faz essa conexão, ‘ele me agrediu porque era jogo’, e os agentes acabam não registrando”.
Lima alerta ainda para a mensagem que as instituições repetem. “Quando a gente fala ‘denuncie, denuncie, denuncie’, a gente comunica mal. A mulher passa a achar que só sai da violência se denunciar. E, como ela não denuncia, ninguém denuncia, e a violência se agrava.”
A defensora lembra um dado que inverte o senso comum sobre as medidas protetivas: entre as vítimas de feminicídio, só cerca de 10% tinham a medida. “Noventa por cento não tinham. A medida protetiva é hoje o instrumento que mais protege as mulheres na prática. O problema é que a maioria morre sem nunca ter chegado ao sistema.”

Poucas mulheres sabem, acrescenta, que a medida pode ser pedida sem boletim de ocorrência, diretamente na Defensoria, no Ministério Público ou pelos canais online dos tribunais de justiça. A edição anterior da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, de 2023, mostrou que 68% das cidadãs diziam conhecer pouco as medidas protetivas e que 73% das vítimas de violência doméstica não recorreram ao instrumento legal.
Copa do Mundo: um mata-mata inteiro de rodadas finais
O estudo mediu o Brasileirão, não a Copa, e as fontes ouvidas fazem questão da distinção. Mas os próprios dados mostram o que acontece quando a carga emocional sobe.

Em clássicos, o efeito da derrota inesperada é de 6%. Quando o jogo acontece na cidade do torcedor, 11%. Nas rodadas finais do campeonato, com título e rebaixamento em disputa, o aumento nos registros chega a 17%.
“Se você pensa num mata-mata, é como se fosse uma última rodada”, diz Árabe sobre a fase atual da Copa, que começou em 11 de junho. “Todo evento grande, muito saliente emocionalmente, com álcool, é um potencial lugar para essa vazão em forma de tragédia.”
Os jogos do Brasil, em geral no fim do dia no horário brasileiro, somam ainda o fator exposição: mais tempo de convivência, mais consumo de álcool, o feriado informal que para o país.
Por que ninguém mede a própria Copa? Porque, estatisticamente, não é possível. Beatriz Accioly, gerente do compromisso pelo Fim da Violência Contra as Mulheres do Instituto Natura, explica:
A Copa tem poucos jogos. É um desafio metodológico produzir significância estatística a partir de uma competição em que o Brasil, nos últimos mundiais, não chega tão longe.”
A estatística que falta, porém, não significa ausência de casos. Em 24 de novembro de 2022, noite da estreia do Brasil na Copa contra a Sérvia, Renata*, de 31 anos, estava na casa de uma amiga, cercada de outras mulheres, numa noite que deveria ser só de torcida. O ex-companheiro, que nunca aceitou o fim do relacionamento, apareceu armado com um canivete.
“Durante a agressão, ele me atingiu no braço, me puxou para o banheiro, apertou meu pescoço e disse que ia me matar”, conta. “Ele repetia que podia entrar na minha casa quando quisesse e que, se eu chamasse a polícia, seria pior para mim.”
As amigas tentaram pedir socorro, mas ele tomou o celular de uma delas e quebrou o aparelho. Mesmo com medo, conseguiram sair de casa e acionar a Polícia Militar. Quando os agentes chegaram, o agressor já havia fugido.
“O que era para ser uma noite assistindo ao jogo do Brasil terminou em uma situação de medo e violência. Depois daquele dia, a única coisa que eu queria era uma medida protetiva.”
É esse tipo de episódio, concentrado, intenso, de curta duração, que a metodologia de Árabe e Pereda não consegue capturar isoladamente numa Copa do Mundo, mas que os relatos de quem vive esses dias continuam registrando.
O Brasileirão funciona, assim, como o melhor termômetro disponível do que o futebol provoca dentro das casas brasileiras.
Quem aparece em cada estatística
Uma pesquisa do Instituto Avon – hoje Instituto Natura – com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2022), que comparou dias com e sem jogos em cinco capitais, encontrou aumentos de 24% nas ameaças e de 21% nas lesões corporais dolosas contra mulheres em dias de partida dos times locais, com o efeito concentrado em companheiros e ex-companheiros. Contra agressores sem vínculo com a vítima, a diferença não tem significância estatística.

Não há evidência de que estranhos agridam mais mulheres em dias de jogo. O futebol catalisa a violência doméstica, não a violência urbana em geral.
O mesmo levantamento traz o recorte racial: em Salvador, mulheres negras ultrapassam 80% dos registros de ameaça e agressão em dias de jogo. O dado pede contexto. Para se ter uma ideia, de acordo com o Censo de 2022 do IBGE, mulheres negras são 45% da população da cidade.
“As diferenças entre as capitais muito provavelmente refletem perfis demográficos distintos, Salvador é a capital estatisticamente mais negra do país e também desigualdades no acesso ao registro policial”, pondera Accioly. “O que a gente está olhando são os registros. Não são os casos que aconteceram, são os que chegaram ao conhecimento das autoridades.”
A defensora Thaís Lima reconhece o mesmo padrão nos atendimentos do Rio. “Mulheres negras sofrem mais violência, têm a violência mais invisibilizada e mais dificuldade de sair do ciclo”, afirma.
Nos territórios conflagrados, chamar a polícia pode ser mais arriscado do que a própria agressão. “A entrada da polícia nesses territórios pode gerar um risco maior para elas do que a violência. Essas mulheres ficam mais vulnerabilizadas para pedir socorro.” Soma-se a violência institucional: “Uma cultura racista que entende que mulheres negras aguentam mais vai diminuir a dor daquela mulher. Temos muitos casos de violência psicológica com cunho racial que sequer chegam aos registros”.
A camada nova: as bets
Na casa de Juliana, o futebol veio primeiro; as apostas, depois. O marido, torcedor fanático do Flamengo, começou com lances de 20, 30 reais. “Ele dizia que era apenas uma diversão, que um dia conseguiria um dinheiro extra. Aos poucos, aquilo virou um vício”, conta. Ele passou a apostar em praticamente todos os jogos do time, depois em outros campeonatos.
“Quando perdia dinheiro, passava o resto do dia irritado. Se o time não fazia o gol que ele esperava, se um jogador errava um pênalti, parecia que toda a frustração era descarregada dentro de casa.”
A pior noite foi em um domingo. Ele havia perdido uma quantia alta, em torno de 5 mil reais, tentando recuperar apostas anteriores. Chegou descontrolado, quebrou objetos da sala, acusou Juliana de atrapalhar sua concentração durante o jogo, gritou na frente da filha. Quando ela tentou acalmá-lo, foi agredida.
O episódio junta, num único caso, os dois canais que a literatura econômica conhece: o gatilho emocional da derrota e o choque de renda. Entre 2015 e 2019, período coberto pelo estudo, as apostas esportivas eram marginais no Brasil. Hoje, o país está entre os maiores mercados do mundo, e as transmissões da Copa vêm recheadas de odds e patrocínios de casas de apostas.
Se você tem esse choque brutal de renda, muitos estudos mostram que de fato aumenta a violência”, diz Árabe, que ressalva não poder afirmar causalidade no caso das bets, já que o estudo não as mediu.
“Quando o homem provedor se vê numa situação em que não pode ser provedor, isso pode ser um catalisador da violência doméstica”, analisa a defensora Thaís Lima. “Não posso dizer com dados, mas é evidente que a vulnerabilidade econômica impacta os relacionamentos. E, onde já há condutas abusivas, o contexto tende a se agravar.”
Juliana demorou a entender o que hoje enuncia com clareza. “As bets e o futebol não eram a origem da violência. Eles serviam de justificativa para um comportamento que já existia. A violência nunca foi causada por uma derrota ou por dinheiro perdido; ela sempre foi uma escolha dele.”
O que o poder público responde
Procuradas, as Delegacias de Defesa da Mulher de São Paulo e do Rio de Janeiro não responderam às perguntas da reportagem sobre o movimento dos plantões em dias de jogo. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo enviou uma nota com um balanço geral de ações: 220 salas DDM para atendimento remoto, mais de 650 policiais especializados, a Patrulha SP Mulher Segura, com 101 viaturas previstas até o fim de 2026, 61 mil usuárias do aplicativo SP Mulher Segura, monitoramento eletrônico de 1,3 mil agressores e 20 Casas da Mulher Paulista inauguradas.
A pasta afirma ainda que abril foi o primeiro mês sem registro de feminicídio na capital desde janeiro de 2023 e atribui o resultado à “efetividade dessas ações”. A ausência de registro em um único mês, porém, não permite conclusão de causa e efeito — e a própria lógica da subnotificação, central nesta reportagem, recomenda cautela na leitura do dado.
Em abril de 2023 foi sancionada a Lei 14.541, que determina o funcionamento ininterrupto das delegacias da mulher. Na prática, a implementação segue desigual. Em março de 2025, uma reportagem da Gênero e Número revelou que apenas 11 delegacias da mulher funcionavam 24 horas, o equivalente a 13%.
“Uma coisa é sancionar a lei, outra é implementar”, diz Árabe.
O futebol como parte da solução
Nenhuma das fontes ouvidas defende afastar as mulheres — ou o país — do futebol. Ao contrário. “Poucas linguagens culturais têm tanta capilaridade no Brasil quanto o futebol. Talvez seja o grande espaço público masculino do país, onde os homens se escutam, se emocionam, se reconhecem”, diz Beatriz Accioly.
Se a gente quer engajar os homens não de forma punitiva, mas transformadora, precisa entrar onde eles já estão. Quando o ídolo fala sobre respeito, sobre limites, ele atinge o menino de 10 anos e o homem de 60. Ele rompe um silenciamento num território que historicamente validou a violência como parte da virilidade.”
Há indícios de que funciona. Quando o São Paulo Futebol Clube entrou em campo no Morumbi com faixas divulgando a Ângela, serviço de apoio a mulheres em situação de violência, o dia registrou um dos maiores acessos da história da plataforma.
Clubes como São Paulo, Sport, Náutico, Portuguesa e Botafogo integram a coalizão empresarial pelo fim da violência contra as mulheres, com ações de conscientização e formação nas categorias de base. O ex-jogador Raí é porta-voz da campanha pelo feminicídio zero.
Fora dos gramados, a defensora do Rio relata efeito parecido: quando uma novela da TV Globo mostrou uma personagem sendo orientada a usar o aplicativo da Defensoria fluminense, os atendimentos dispararam. “Informação é um grande passo”, diz Lima. “Mas não pode ser só campanha. Tem que ter a rede estruturada para acolher quem dá o passo, sem culpabilizar, sem julgar.”
O Instituto Natura, que apoia políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero, frisa que não realiza ações pontuais para a Copa. A aposta é no trabalho estrutural e permanente. “A violência contra as mulheres não é um problema sazonal”, resume Accioly. “Grandes eventos são oportunidades de ampliar a conversa, mas ela tem que acontecer todos os dias.”
Marcia levou anos para separar o futebol das lembranças do que viveu. “Hoje, consigo assistir a uma partida sem medo”, diz. Juliana resume o que aprendeu de um jeito que serve de fecho para qualquer estatística: “Ninguém merece viver tentando adivinhar o humor do parceiro para evitar uma agressão”.
Enquanto a Copa avança para as fases finais, é para mulheres como elas, as que ainda organizam o jantar pela tabela do campeonato, que os dados desta reportagem apontam.
ONDE PEDIR AJUDA
Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher: gratuita, funciona 24 horas, todos os dias. Orienta e registra denúncias.
190 — Polícia Militar, para emergências e violência em curso.
Medida protetiva sem B.O. — Pode ser solicitada diretamente na Defensoria Pública, no Ministério Público ou pelos canais online dos tribunais de justiça, independentemente de denúncia criminal.
Delegacia eletrônica — São Paulo e Rio de Janeiro permitem o registro online de ocorrências de violência doméstica desde 2020.
Serviços de apoio — Casa da Mulher Brasileira e Casa da Mulher Paulista, Nudem (Defensoria Pública), Instituto Maria da Penha, Mapa do Acolhimento.
*Os nomes das mulheres ouvidas nesta reportagem foram alterados a pedido delas, por segurança.
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