O emprego de homens em profissões expostas à inteligência artificial nos EUA cresceu em um ritmo significativamente mais acelerado do que o de mulheres nos últimos três anos. A disparidade é impulsionada por um abismo no mercado de trabalho entre profissionais sem diploma universitário, segundo um novo relatório do Pew Research Center.
O estudo classificou 480 profissões em uma escala de exposição à IA de 0 a 3,5. Motoristas de caminhão e operários da construção civil, por exemplo, pontuam mais baixo do que assistentes médicos, caixas bancários e agentes de viagens.
Ao comparar o período de 2023 a 2026 (quando os chatbots de IA generativa se popularizaram) com os anos de 2017 a 2019, a pesquisa mostra que a contratação de homens cresceu de forma constante a cada ponto adicional nessa escala, aprofundando a desigualdade de gênero nas profissões que estão no topo do ranking.
Para cada ponto de aumento na escala de exposição, o crescimento do emprego masculino saltou 6,3%. Enquanto isso, o feminino ficou praticamente estagnado, com alta de apenas 0,2%.
Nas áreas de maior impacto — como gestão financeira, desenvolvimento de software e contabilidade —, o emprego masculino cresceu cerca de 24% a mais em comparação às menos expostas. Na pontuação máxima de exposição (3,5), a taxa de crescimento dos homens foi de 17,8%, contra apenas 0,5% para as mulheres.
Entre os profissionais com escolaridade até o ensino médio, o emprego masculino cresceu 8,8% por ponto de exposição, enquanto o feminino despencou 9,5%. Já nas profissões com menor exposição geral, o avanço das mulheres superou o dos homens.
Por dentro do cenário no mercado de trabalho
As primeiras pesquisas sobre o impacto da IA generativa apontaram que profissionais de áreas intelectuais e de escritório enfrentam os maiores níveis de exposição à tecnologia. Levantamentos iniciais do Pew indicaram que as mulheres estavam desproporcionalmente representadas nessas ocupações devido à alta concentração feminina em funções de apoio administrativo. De modo geral, o emprego nessas áreas cresceu em vez de encolher de 2023 a 2026.
No entanto, dentro desse crescimento geral, os homens foram esmagadoramente beneficiados pelas novas vagas. Essa divergência atinge com mais peso as profissionais sem ensino superior porque as funções primárias de seus empregos — como atendimento ao cliente, recepção e secretariado — são altamente suscetíveis à substituição por fluxos de trabalho automatizados.
O viés da IA no recrutamento
Sistemas de inteligência artificial têm reproduzido vieses históricos de gênero no mercado de trabalho. Ferramentas de recrutamento baseadas em IA já foram flagradas penalizando candidatas mulheres, sugerindo salários iniciais mais baixos para elas e buscando especificamente homens para preencher cargos de alta remuneração.
A Amazon, em um caso famoso, descartou seu algoritmo de contratação depois que os sistemas aprenderam sozinhos a rejeitar currículos que continham palavras no feminino. Na mesma linha, pesquisadores da Universidade de Washington estudaram milhões de avaliações feitas por IA e concluíram que os modelos preferiam nomes masculinos aos femininos, enquanto um estudo do MIT revelou que robôs de recursos humanos recomendavam salários iniciais menores para as candidatas.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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