Na própria plataforma, vítimas de gravações sem consentimento passaram a publicar relatos semelhantes. “Um homem se aproximou de mim totalmente ciente de que estava ultrapassando um limite, me explorando para conteúdo e me gravando sem meu consentimento. A simpatia virou risco, porque nada vale esse nível de violação”, relatou uma das vítimas em seu perfil.Em outro vídeo, uma mulher contou ter sido abordada no aeroporto por um homem que usava óculos da Meta. Depois, ao procurar nas redes sociais, descobriu que ele mantinha um perfil dedicado a publicar gravações de abordagens a mulheres em aeroportos.
Usuários burlam mecanismos de segurança
O modelo de óculos com câmera mais conhecido é o da Meta com a Ray-Ban. De acordo com as diretrizes da empresa, os acessórios têm um mecanismo de privacidade: sempre que a gravação é iniciada, uma luz branca de LED se acende para indicar que a câmera está em uso, ao menos na fabricação original.
Mesmo assim, usuários mal-intencionados encontraram maneiras de tentar burlar essa proteção. Tutoriais publicados na internet mostram formas de esconder ou modificar o indicador luminoso para dificultar que as pessoas percebam a gravação. Além disso, há modelos de marcas paralelas sendo vendidos on-line, sem que esteja claro qual política de funcionamento e segurança adotam.
A Meta afirma que, desde a segunda geração dos óculos, a câmera é automaticamente desativada quando o sistema identifica que o LED foi coberto. Na última quinta-feira (8), a empresa também atualizou sua página de perguntas e respostas e informou ter ampliado a proteção para situações em que a luz seja fisicamente adulterada ou danificada.
Além do risco de gravações sem consentimento, o produto também passou por outra polêmica relacionada à privacidade. Em março, a Meta se tornou alvo de uma ação coletiva nos Estados Unidos após a divulgação de que funcionários e prestadores terceirizados tinham acesso a registros enviados aos sistemas de inteligência artificial, incluindo imagens de momentos íntimos.
Como esclarecido pelos próprios termos de uso, a revisão humana faz parte do processo de treinamento das ferramentas de IA, que dependem de exemplos reais para desenvolver habilidades como reconhecer objetos, interpretar ambientes e identificar placas.
A discussão acontece em meio à expansão da linha de óculos inteligentes da Meta. A empresa apresentou recentemente novos modelos, incluindo uma versão assinada por Kylie Jenner, equipada com câmera, microfones, integração com redes sociais e recursos de inteligência artificial.
Em explicação divulgada, a fabricante afirma se orgulhar de oferecer uma medida de privacidade que, segundo ela, não existe em outros modelos de câmera, como o LED, e diz trabalhar para aprimorar a segurança. Veja na íntegra:
“Desde a segunda geração dos nossos óculos, a câmera é automaticamente desabilitada quando detectamos que o LED de captura foi bloqueado. Nenhuma foto ou vídeo pode ser registrado até que o sistema identifique que o LED voltou a ficar desobstruído.
Desde a implementação dessa proteção, observamos que algumas pessoas foram além de simplesmente cobrir o LED com fita adesiva e passaram a tentar modificá-lo ou destruí-lo. Estamos aprimorando continuamente nossa capacidade de detectar esse tipo de adulteração e, agora, estamos atualizando os óculos para que a câmera também seja desativada caso seja identificado que o LED foi fisicamente adulterado ou danificado. Nenhum outro modelo de câmera oferece esse tipo de proteção, e temos orgulho de liderar esse avanço no setor.”
Descobri que fui gravada sem consentimento, e agora?
Para mulheres que descobrem que foram filmadas sem autorização, a primeira recomendação é preservar as provas antes de solicitar a remoção do conteúdo. Segundo Bianca Orrico Serrão, integrante da equipe da Disciplina de Cidadania Digital e psicóloga da SaferNet Brasil, a vítima deve reunir capturas de tela, o link da publicação, data, horário e outras informações que comprovem a circulação do material.
Depois disso, a orientação é denunciar a publicação na própria plataforma, registrar um boletim de ocorrência e procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) ou uma delegacia especializada em crimes cibernéticos. Bianca explica que as vítimas também podem buscar orientação no Canal de Ajuda da SaferNet.
Já conteúdos que envolvam abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes ou misoginia podem ser também denunciados à Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da organização.
Os dados divulgados com a Marie Claire mostram que esse tipo de violência vem crescendo. Em 2025, a central de denúncias recebeu mais de 87 mil denúncias. A misoginia foi a segunda categoria mais denunciada, com 8.728 registros. Já no Canal de Ajuda da organização, o principal motivo de busca por orientação foi a exposição não consensual de imagens íntimas e a extorsão sexual, que registraram aumento superior a 115% em relação a 2024.
“Esses números demonstram que as violências baseadas em gênero estão se intensificando no ambiente digital e assumindo novas formas à medida que surgem tecnologias capazes de facilitar registros e compartilhamentos sem consentimento”, afirma Bianca.
A discussão acontece em meio à expansão da linha de óculos inteligentes da Meta. A empresa apresentou recentemente novos modelos, incluindo uma versão assinada por Kylie Jenner, equipada com câmera, microfones, integração com redes sociais e recursos de inteligência artificial.
Em explicação divulgada, a fabricante destaca que está trabalhando para aprimorar a segurança. Veja o comunicado:
“Desde a implementação dessa proteção, observamos que algumas pessoas foram além de simplesmente cobrir o LED com fita adesiva e passaram a tentar modificá-lo ou destruí-lo. Estamos aprimorando continuamente nossa capacidade de detectar esse tipo de adulteração e, agora, estamos atualizando os óculos para que a câmera também seja desativada caso seja identificado que o LED foi fisicamente adulterado ou danificado. Nenhum outro modelo de câmera oferece esse tipo de proteção, e temos orgulho de liderar esse avanço no setor”
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