A construção de ambientes de trabalho mais seguros, respeitosos e livres de violência para as mulheres foi o tema da 14ª edição do Pró-Integridade Convida, realizada nesta quarta-feira (24/6), no Auditório Roseli Faria, no Bloco K da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Promovido pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), sob assessoria da Coordenação de Gestão da Integridade da Assessoria Especial de Controle Interno (COINT-AECI), o encontro reuniu especialistas, gestores e servidores públicos para discutir o papel dos homens na prevenção e no enfrentamento do assédio, da discriminação e de outras formas de violência de gênero.
Com o tema “Vamos falar sobre a corresponsabilidade dos homens na construção de ambientes seguros para as mulheres?”, o evento buscou sensibilizar lideranças e agentes públicos sobre a importância da atuação masculina como aliada na promoção da equidade de gênero e no fortalecimento de uma cultura institucional baseada no respeito, na integridade e na responsabilização compartilhada.
Antes do painel temático, o evento também trouxe o lançamento dos Planos Pró-Integridade 2026-2027 e do Plano Setorial de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação (PSPEAD) 2026-2027, reforçando o compromisso institucional do MGI com a promoção de ambientes organizacionais éticos, inclusivos e seguros.
Reflexão e compromisso coletivo
Consultor em diversidade, inclusão e parentalidade, Marlon Camacho iniciou sua exposição com uma reflexão sobre masculinidade e o seu papel no enfrentamento e erradicação da violência contra as mulheres. “O conceito observado na obra ‘A Caixa dos Homens’, de Paul Kivel, aponta como estar dentro dessa definição limita o papel do homem na sociedade, uma crença ultrapassada”, afirmou.
Além de ser um obstáculo à promoção de ambientes seguros para as mulheres, Camacho acrescenta que um perfil estereotipado sobre masculinidade restringe a formação do indivíduo. Citou, como exemplo, um menino que durante a infância pudesse gostar de pintar, mas recebeu a instrução de que não seria “coisa de homem”.
Como proposta de intervenção, o consultor defende que “a maior contribuição se dará através do cuidado. A gente (homens) precisa virar liderança, aprender a cuidar. E nesse cuidado se inclui hábitos despercebidos como atividades do lar”, relatou. Por fim, sugeriu o desafio no qual os participantes citassem cinco mulheres que admirassem, mas que não fossem do seu ciclo social.
Formas de violência
A coordenadora-geral de Garantia de Direitos e Acesso à Justiça do Ministério das Mulheres, Ana Maria Martinez, aprofundou o debate ao abordar as diferentes formas de violência contra as mulheres e suas causas estruturais. Ela explicou que, além da violência física e moral, há manifestações associadas à desigualdade de gênero e às construções sociais que historicamente relega as mulheres a posições de menor valorização.
A painelista também destacou que o feminicídio é um crime passível de prevenção, uma vez que costuma ser precedido por um ciclo de violência identificável. Nesse contexto, apresentou iniciativas como o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, as Casas da Mulher Brasileira e o fortalecimento do Ligue 180 como instrumentos para ampliar a proteção, o acolhimento e o acesso das mulheres aos serviços públicos.
O papel das instituições na prevenção da violência
Encerrando o painel, a auditora-fiscal do Trabalho Aline Toledo abordou como estruturas organizacionais e relações de poder podem contribuir para a reprodução da violência de gênero. Segundo ela, modelos tradicionais de masculinidade, baseados na repressão das emoções e na valorização do poder como forma de reconhecimento, influenciam comportamentos dentro e fora do ambiente de trabalho, dificultando relações pautadas pelo respeito e pela colaboração.
A palestrante também alertou para fatores contemporâneos que agravam esse cenário, como a precarização das relações de trabalho, a disseminação de discursos polarizados nas redes sociais e a redução de investimentos em políticas públicas voltadas às mulheres. Para ela, enfrentar a violência de gênero exige reconhecer essas desigualdades estruturais e fortalecer ambientes institucionais comprometidos com a equidade, o diálogo e a prevenção.
Novos planos reforçam ações de integridade e enfrentamento ao assédio
Durante a abertura do evento, o MGI também apresentou os Planos Pró-Integridade 2026-2027 e o Plano Setorial de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação (PSPEAD) 2026-2027. A apresentação dos documentos contou com a participação do presidente do Subcomitê de Integridade do MGI, Francisco Eduardo de Holanda Bessa; da diretora de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e Discriminação, Ariana Frances Carvalho de Souza; e do secretário-executivo adjunto do MGI, Adauto Modesto Junior. Os planos reúnem mais de 450 ações voltadas ao fortalecimento da cultura de integridade, à promoção de ambientes de trabalho seguros e respeitosos e à prevenção de condutas incompatíveis com os valores da administração pública.
Durante o lançamento, as autoridades ressaltaram a importância do planejamento institucional para consolidar políticas permanentes de integridade e enfrentamento ao assédio. Também defenderam o fortalecimento da atuação integrada entre as áreas do ministério e o engajamento de lideranças e servidores, especialmente dos homens, na construção de ambientes de trabalho pautados pelo respeito, pela confiança e pela corresponsabilidade.
Pró-Integridade
O Pró-Integridade é uma iniciativa do MGI voltada à disseminação da cultura de integridade no serviço público. Entre seus objetivos estão a promoção da ética, da transparência e da responsabilidade institucional, além do fortalecimento de ambientes de trabalho seguros, respeitosos e livres de assédio e discriminação. Por meio de eventos, capacitações e ações de sensibilização, o programa busca incentivar práticas alinhadas aos princípios da integridade e contribuir para a construção de uma administração pública cada vez mais inclusiva e comprometida com a valorização das pessoas.
Leia matéria completa no site de origem: clique aqui







