O Ministério das Mulheres apresentou, nesta segunda e terça-feira (29 e 30), em Salvador (BA), novas entregas para fortalecer a rede nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres, no âmbito do Pacto Brasil contra o Feminicídio. Durante o 3º Encontro Nacional dos Pontos Focais do Ligue 180, a pasta destacou o uso de ferramentas digitais, como atendimento via WhatsApp, chatbot e curadoria diária da base de informações da central, para aprimorar o acolhimento humanizado às mulheres em situação de violência.A agenda também marcou a apresentação das Diretrizes Nacionais das Casas da Mulher Brasileira, a assinatura de acordos de cooperação técnica para fortalecer os fluxos de denúncia e a entrega simbólica de 17 veículos oficiais destinados à rede de atendimento nos estados.
Promovido pelo Ministério das Mulheres, por meio da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, o encontro reuniu representantes de diferentes estados e instituições parceiras para fortalecer a atuação integrada da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, porta de entrada para acolhimento, orientação e encaminhamento de mulheres em situação de violência. No primeiro trimestre de 2026, o canal realizou mais de 300 mil atendimentos.
Atualmente, o Ligue 180 conta com equipe de 350 atendentes qualificadas e fluxos de atendimento voltados à escuta ativa, acolhedora e humanizada. As atendentes também passam por formações periódicas, com o objetivo de fortalecer a atuação integrada da rede de proteção às mulheres.
À frente do Ministério das Mulheres, a ministra Márcia Lopes explicou que o Ligue 180 é um serviço que está em constante aprimoramento. De acordo com a ministra, além da atuação do governo federal, é fundamental que instituições públicas e parceiras contribuam para ampliar a divulgação da central.
“Tudo o que a gente quer é que cada instituição brasileira nos ajude a divulgar o 180, para que as pessoas, as mulheres que são vítimas, ou familiares, amigos, colegas de trabalho que conheçam alguma situação de violência, possam conhecer e agir”, explicou.
Chatbot e curadoria diária qualificam atendimento
Entre as principais entregas apresentadas durante o encontro está o reforço da inteligência digital no atendimento do Ligue 180. Além do atendimento via WhatsApp, agora o Ligue 180 também está disponível no site do Ministério das Mulheres, por meio de chatbot, com curadoria diária da base de informações utilizada pelas atendentes.
A ferramenta recebe informações sobre os direitos das mulheres, legislação e serviços da rede de atendimento, com possibilidade de atualização contínua. A medida contribui para qualificar as respostas às demandas recebidas, tornar o atendimento mais ágil e garantir que novas informações sejam incorporadas à rotina da central.
Juliana Costa, coordenadora de back office do Ligue 180, explicou que a curadoria diária permite atualizar o sistema sempre que surgem novas demandas ou questionamentos durante os atendimentos. “Caso a gente identifique situações e questionamentos que estão sendo realizados pela central e que, por algum motivo, por uma atualização recente, não conste no banco de dados, a gente tem essa curadoria diária para que esses atendimentos sejam atualizados”, afirmou.
Camila Batista, secretária de Políticas para as Mulheres, ressaltou a importância do atendimento Ligue 180 no enfrentamento à violência contra mulheres. De acordo com a secretária, a rede de atendimento especializada ajuda a romper o ciclo da violência. “A gente precisa ter uma rede articulada e atuante dentro do Estado”, afirmou.
Acordos fortalecem fluxos de denúncia
A agenda em Salvador também contou com a assinatura de Acordos de Cooperação Técnica do Ligue 180 com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e com os estados do Amapá, Santa Catarina e Roraima, que passaram a integrar o fluxo do Ligue 180 para fortalecimento os encaminhamentos de denúncias.
O evento também marcou a assinatura de atos da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia dentro da temática de enfrentamento à violência de gênero.
Diretrizes nacionais para as Casas da Mulher Brasileira
Durante o encontro, o Ministério das Mulheres também apresentou as Diretrizes Nacionais das Casas da Mulher Brasileira (CMB), que orientarão a atuação integrada dessas unidades em todo o país. A medida busca garantir unidade, padronização e fortalecimento do atendimento prestado pelas instituições que compõem o equipamento.
Desde 2023, o Ministério das Mulheres investiu mais de R$ 400 milhões nas Casas da Mulher Brasileira. Atualmente, o país conta com 13 unidades em funcionamento: Campo Grande (MS), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Curitiba (PR), São Luís (MA), Boa Vista (RR), São Paulo (SP), Salvador (BA), Teresina (PI), Ananindeua (PA), Palmas (TO), Macapá (AP) e Aracaju (SE). A previsão é de chegar a 48 até dezembro, incluindo as que estão em processo de licitação e construção.
Ao longo de 2025, as Casas da Mulher Brasileira realizaram 451 mil atendimentos, reforçando o papel do equipamento como marco na consolidação da política pública nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres.
“Nós temos várias instituições que funcionam dentro da Casa da Mulher Brasileira e que são vinculadas a grupos diferentes. Nós temos Ministério Público, Defensoria Pública, as delegacias, nós temos serviço psicossocial, Patrulha Maria da Penha. Então, tudo o que a gente precisa é que as instituições trabalhem em conjunto. As diretrizes são justamente para dar esta unidade, para dar uma orientação clara e comum”, explicou a ministra Márcia Lopes.
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