Publicação reúne pesquisadores de instituições como Afrocebrap, Conaq, Neri/Insper e Unicamp para mapear dados raciais em seis eixos temáticos, além de apontar falhas estruturais na produção de informações sobre a população negra no país. Evento será aberto ao público
A Bancada Feminista do PSOL, mandato coletivo de cinco mulheres negras na Assembleia Legislativa de São Paulo, promove em 16 de junho de 2026, às 19h, o lançamento do Anuário da População Negra no Brasil, uma publicação da Alma Preta Jornalismo para discutir os desafios e potências de dados públicos raciais.
O evento, aberto ao público, acontecerá no Plenário José Bonifácio da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em Moema, na capital paulista. Esta é a primeira edição da publicação anual, dedicada a sistematizar, analisar e debater os dados públicos disponíveis sobre a população negra no Brasil.
“O debate sobre dados raciais ainda está centralizado entre pesquisadores e algumas organizações políticas. Com o Anuário, a gente espera difundir o tema para quem precisa de mais argumentos na luta antirracista: movimentos sociais, advocacy e comunicação popular”, explica a jornalista Camila Rodrigues da Silva, gerente de dados e investigação da Alma Preta, que coordena a publicação.
O Anuário está disponível em formato de e-book, com acesso gratuito em almapreta.com.br/dados/retratos-anuario.
A publicação deste primeiro Anuário foi viabilizada com a parceira com a Secretaria da Justiça e Cidadania, por meio da Coordenadoria de Políticas para a População Negra (CPPN), intermediada pela Bancada Feminista do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP). O mandato coletivo da Bancada Feminista é composto por cinco mulheres negras: Paula Nunes, Carol Iara, Simone Nascimento, Mariana Souza e Sirlene Maciel.
Uma ferramenta de acompanhamento contínuo
Concebido como projeto permanente, o Anuário será publicado anualmente, acompanhando os avanços e lacunas na produção de dados raciais no Brasil. “Esse anuário é necessário, por isso apoiamos a realização dele. Todos os dados escancaram a urgência de pensar políticas públicas de reparação histórica para população negra brasileira. As desigualdades sociais são estruturalmente ligadas ao racismo no país e com racismo não há democracia”, afirma a co-deputada estadual Simone Nascimento (PSOL-SP).
Essa primeira edição traz um panorama com os marcos histórico dos dados de raça/cor nas bases públicas e, em seguida, analisa dados raciais em seis eixos temáticos:
Negros no Brasil, com os temas de enegrecimento da população; o papel da Conaq no processo do primeiro Censo quilombola do IBGE; e a presença de imigrantes e refugiados negros no CadÚnico em Santa Catarina;
Educação, com artigos sobre desafios dos dados raciais de educação básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP); avanços e limites das cotas no Ensino Superior e a presença majoritária de negros no Educação de Jovens e Adultos (EJA); e o que os dados mostram sobre efeitos da cotas raciais no Ensino Superior;
Inserção Política, com textos sobre mulheres negras no Executivo e Legislativo municipal (2016-2024) e afroconveniência eleitoral na vereança de São Paulo;
Saúde, com as temáticas de doenças negligenciadas e da negação de direitos reprodutivos para adolescentes negras;
Segurança Pública, com textos sobre os espaços ocupados pelos policiais negros civis e militares nas corporações e seus desafios; análises de violência de gênero e feminicídio a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN); e os desafios de racializar indicadores como o Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ);
Trabalho, com estudos sobre as potencialidades dos dados raciais da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho; e a predominância de negros no trabalho na escala 6×1, a partir de análise da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).
Para a primeira edição, a Alma Preta convidou pesquisadores e estudiosos de instituições renomadas, como o Afrocebrap (vinculado ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento); o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT); a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq); o Instituto de Referência Negra Peregum; a Marcha das Mulheres Negras; o Núcleo de Estudos Raciais do Insper; o Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” e a Faculdade de Educação, ambos da Unicamp; da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), além de agentes do poder público que atuam e refletem sobre os temas abordados.
Os desafios que o Anuário pretende enfrentar
A publicação nasce de um diagnóstico urgente: a produção de dados sobre a população negra no Brasil é marcada por falhas sistemáticas. Entre os principais problemas identificados estão a não obrigatoriedade de preenchimento do campo raça/cor em registros administrativos públicos, a ausência de séries históricas que permitam comparações ao longo do tempo, os debates sobre autoidentificação e heteroidentificação, e as fraudes na autodeclaração em candidaturas e vagas no setor público.
Ao se consolidar como publicação anual, o Anuário permitirá também registrar os avanços legislativos e as inovações na coleta de dados raciais em bases públicas.
Sobre o projeto Retratos da População Negra no Brasil
O Anuário integra o projeto mais amplo Retratos da População Negra no Brasil (almapreta.com.br/dados/retratos), iniciativa de jornalismo de dados da Alma Preta que reúne visualizações e análises sobre educação, inserção política, saúde, segurança pública, violência e trabalho.
O projeto é voltado a movimentos sociais, gestores públicos, acadêmicos, estudantes e jornalistas, e tem como missão contribuir para o debate das desigualdades raciais, identificar particularidades da desigualdade social da população negra e fortalecer identidade e pertencimento.
Serviço
Lançamento do Anuário da População Negra no Brasil
Quando: 16 de junho de 2026, às 19h.
Onde: Plenário José Bonifácio – Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, 201, Moema. São Paulo/SP.
Site do projeto: almapreta.com.br/dados/retratos-anuario.
Leia matéria completa no site de origem: clique aqui







