Pelo menos um milhão de mulheres e meninas ficaram sem assistência desde janeiro de 2025 devido aos cortes orçamentários nos organismos que atuam em situações de crise, alerta um relatório da ONU Mulheres.
As organizações humanitárias enfrentam cortes significativos na ajuda internacional, em particular desde o retorno do republicano Donald Trump à Casa Branca em 2025.
Como consequência, “pelo menos um milhão de mulheres e meninas afetadas por conflitos e crises perderam o acesso a serviços e apoio essenciais”, declarou à imprensa em Genebra Sofia Calltorp, diretora de Ação Humanitária da ONU Mulheres.
“Sabemos que esse número é apenas a ponta do iceberg”, afirmou, classificando como “profundamente inquietantes” as conclusões deste novo relatório.
Com base nas respostas de 855 ONGs em 52 países afetados por crises e conflitos, o documento revela que nove em cada 10 organizações “já não conseguem atender às necessidades atuais, como consequência da maior queda anual já registrada na ajuda pública ao desenvolvimento”.
“As organizações de mulheres que correm risco de fechamento estão na linha de frente das crises humanitárias mais graves do mundo”, adverte.
Em países como Afeganistão, República Democrática do Congo e Haiti, as organizações atuam “onde os atores internacionais não conseguem fazê-lo e permanecem em campo muito depois que a atenção mundial se desvia para outros temas”, explicou Calltorp.
O texto destaca que os funcionários de 65% das organizações dirigidas por mulheres trabalham sem remuneração para garantir a continuidade dos serviços, enquanto “as necessidades atingem níveis históricos”.
Além disso, 86% das ONGs consultadas relataram um aumento da violência de gênero nas comunidades, enquanto os casos de agressão sexual relacionada com os conflitos “duplicaram em 2025”.
“O desmonte das organizações de mulheres não está acontecendo do nada, mas sim no contexto de uma reação global contra os direitos de mulheres e meninas”, concluiu Calltorp.
Leia matéria completa no site de origem: clique aqui







