Gesto ajudou uma criança e um grupo de adolescentes a escapar de situações de violência sexual em casos recentes no Paraná e em São Paulo
Um gesto simples com a mão ajudou uma criança e um grupo de adolescentes a escapar de situações de violência sexual em casos recentes no Paraná e em São Paulo. Conhecido como Sinal Universal de Ajuda, o código pode ser importante ferramenta de proteção. Especialistas ouvidos pelo GLOBO reforçam a importância de ensinar, desde a primeira infância, formas de reconhecer situações de perigo e pedir socorro, mas também de preparar pais, educadores e a sociedade para identificar o sinal e agir diante de um pedido de ajuda. Na última sexta-feira, uma mulher morreu baleada pelo ex-marido na saída de um supermercado, no Distrito Federal, após fazer o mesmo sinal, pedindo socorro a seu vizinho, que não entendeu o apelo.
— Ensinar esses sinais é uma forma de educar para a proteção. Com os pequenos, podemos usar histórias, brincadeiras e desenhos para conversar sobre o corpo, os limites e a importância de pedir ajuda — explica a psicopedagoga Alana Sineiro, acrescentando que a abordagem deve ser natural, sem assustar a criança, e ajudá-la a reconhecer comportamentos inadequados.
Em 2025, foram registrados 61.076 estupros contra crianças e adolescentes de até 17 anos, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Os desaparecimentos nessa faixa etária aumentaram 8% em 2025, chegando a 23.919 casos, média de 66 por dia, segundo o Ministério da Justiça.
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Sinal reconhecido
Em 9 de outubro, uma menina de 9 anos escapou de tentativa de estupro em Curitiba (PR) após fazer o sinal. O primo, de 10, que caminhava atrás dela, reconheceu o gesto e correu até um posto de gasolina para pedir ajuda. Frentistas detiveram o suspeito, de 54 anos.
As crianças seguiam para a escola, quando o homem ofereceu dinheiro à menina para acompanhá-lo. Diante da recusa, tentou a puxá-la.
— Quando ele puxou o braço dela, ela fez o sinal, o priminho percebeu e foi pedir ajuda — relatou Andressa Ruthes, agente da Guarda Municipal que registrou a ocorrência.
Segundo Ruthes, as crianças choravam e tremiam de medo.
— A divulgação desse sinal pode salvar uma vida — disse.
A avó das crianças contou que ensinou o gesto aos netos depois de vê-lo na televisão.
— Falei: “Isso serve para vocês também. Qualquer perigo, faz assim com a mão. Quem conhecer esse sinal vai saber que vocês estão precisando de ajuda” — disse a avó à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.
O suspeito foi autuado por tentativa de estupro. Ele usava tornozeleira eletrônica e cumpria pena em regime aberto por estupro de vulnerável.
Dois dias antes, na noite de quarta-feira, uma adolescente de 14 anos também recorreu ao sinal ao avistar uma viatura da Polícia Militar em uma praça na Zona Oeste de São Paulo. Os policiais reconheceram o gesto e detiveram um suspeito, de 20 anos, que tentava fugir após “passar a mão” em meninas de 11 a 14 anos no local. Uma delas contou aos agentes que havia sido vítima de estupro pelo homem em dias anteriores. Ele foi levado ao 33º Distrito Policial (Pirituba).
Como pedir ajuda
O Sinal para Ajuda Universal foi um código lançado em abril de 2020 pela Fundação de Mulheres Canadenses e ganhou força durante a pandemia de Covid-19, quando passou a ser usado por elas para sinalizar situações de perigo discretamente, em chamadas de vídeo ou encontros rápidos, sem despertar suspeitas. Com o tempo, o gesto ganhou popularidade usado por qualquer pessoa em situação de risco.
A divulgação pelas redes sociais ajudou a disseminar o código, que também aparece em vídeos demonstrativos publicados por prefeituras e corporações policiais.
Há outras formas de pedir ajuda discretamente. Uma delas é o sinal com um “X” vermelho desenhado na palma da mão, criado pelo Conselho Nacional de Justiça e pela Associação dos Magistrados Brasileiros para permitir que mulheres e meninas sinalizem que precisam de ajuda em farmácias, órgãos públicos e agências bancárias.
Outro recurso é o código “Cadê a Ângela?”, utilizado por alguns estabelecimentos. A pergunta funciona como um pedido discreto de ajuda para mulheres que se sentem inseguras. O nome faz referência à personagem fictícia de uma campanha contra assédio na Inglaterra em 2016.







