
Ainda hoje, nossos governos são, predominantemente, compostos por homens. Seus egos frágeis, sua necessidade de se impor e de dominar geraram um fruto adoecido, que capenga a fortes dores: o ódio.
Esse ódio vem envenenando nosso planeta, sendo responsável pelas guerras, pelas doenças, pela misoginia, pelo feminicídio. Quem pode defender às mulheres? Por quê, na era da informação, ainda se insistem em disseminar a mentira de que homens podem falar pelas mulheres?
A verdade, cara leitora, é que não existe revolução sem igualdade de gênero. E a paridade política ainda é uma luta diária no dia a dia das parlamentares brasileiras. As mulheres são apenas 9% na Câmara dos Deputados, um total de 77. É, no mínimo, vergonhoso.
De toda sorte, podemos contar com a força de algumas mulheres, dispostas a enfrentar a misoginia e a violência, por mais grotesco que isso seja, para nos salvar das garras do patriarcado. Dentre elas, hoje, citaremos duas: Lídice da Mata e Socorro Nery.
Lídice da Mata está há mais de 30 anos fazendo história na política, abrindo espaços e lutando pelas mulheres. Lídice tem tantos feitos que, enumerá-los aqui, fariam com que esse texto se tornasse extremamente longo. No entanto, é preciso citar alguns.
Foi a primeira -e única- prefeita de Salvador (BA); ajudou na elaboração da Constituição Federal, em 1988; Foi integrante da ‘Bancada do Batom’, que fez revolução nas políticas de gênero; enquanto prefeita, criou a ‘Fundação Cidade Mãe’, que tirou mais de 8 mil crianças das ruas; fez com que Salvador fosse a primeira cidade do país e ter computadores e internet nas escolas;

Agora, atualmente, o mandato de Lídice continua forte, combatendo essa onda fascista que enfrentamos. Por exemplo, ela é a relatora da CPMI das Fake News, uma ação muito importante, visto que o presidente da República é suspeito de fazer disparos de WhatsApp que o levaram a ganhar as eleições de 2018.
Lídice é uma luz em tempos de sombras. Podemos contar com sua força, potência, carinho nesses momentos. Com a segurança de saber que ela está e estará lá por nós, pelas mulheres, pela igualdade de gênero, pela justiça social. Lídice é nosso orgulho!
Socorro Neri, prefeita de Rio Branco (AC), é uma dessas políticas que arregaça as mangas e enfrenta o que vier em nome da política do bem. Assumiu a prefeitura, em 2018, com uma completa escassez de verba. No entanto, com planejamento, Socorro conseguiu, com a ajuda de deputados federais, uma injeção em seu plano de governo.

Segundo levantamento feito pelo G1 em janeiro deste ano, a administração da prefeita atingiu 59% das metas estabelecidas no plano de governo da capital, ocupando o primeiro lugar no ranking de melhor gestora municipal do país! E há quem diga por aí que política não é coisa de mulher… quanta audácia.
Não parando por aí, a prefeitura de Rio Branco criou, em 2019, um serviço de entrega em domicílio de medicamentos. Cem por centro dos objetivos traçados em 2016, na área da saúde, foram atingidos. Uma gestora dessas, bicho! Um Brasil estaria em outro patamar, caso Socorro assumisse a presidência.
Falando em saúde, em tempos de COVID-19, Socorro prestou seu auxílio à sua cidade. Assinou decreto que, dentre outras coisas, criação do Comitê de Enfrentamento e Monitoramento de Emergência para Infecção Humana, determinação de realização compulsória de exames médicos, testes laboratoriais, coleta de amostras clínicas, vacinação e outras medidas profiláticas.
É isso que se espera daqueles que elegemos a cargos públicos. Não estamos aqui exaltar sem sentido duas políticas brasileiras. Estamos aqui para mostrar como se faz. Seus feitos são de enorme valor para o povo. Lídice e Socorro são mulheres exemplos de governantes, que buscam o crescimento e a igualdade social. Não só isso, são representantes de um movimento que busca inserir, cada dia mais, mulheres nesses espaços políticos, infelizmente, tão agressivos.
A agressividade é fruto, como já dissemos, deste ego frágil que habitam os homens. O medo de serem substituídos. Eu diria que seus medos são palpáveis, mas são apenas resultado de vossas ineficiências enquanto políticos. Nunca foi porque às mulheres querem roubar seus lugares. Essa substituição ocorrerá naturalmente, se não houver mudança em seus mandatos. Afinal, Lídice e Socorro são um exemplo de passado, a referência do presente e a esperança de futuro!
